A procura por automóveis mais eficientes teve início com a Crise do Petróleo dos anos 70, mas foi-se intensificando ao longo das décadas seguintes, até que, no final dos anos 80 e nos anos 90, a eficiência foi progressivamente conjugada com o reforço das normas antipoluição.
Assim sendo, a Opel decidiu desenvolver protótipos que tivessem a melhor economia possível de combustível. Com esse propósito nasceu o Opel Corsa Eco3, apresentado no Salão de Genebra de 1992, ainda com base na primeira geração do Corsa e que iria evoluir para a segunda geração em 1995.
Este protótipo tinha por base o Corsa TD com o famoso motor turbo-diesel da Isuzu, de 1,5L de cilindrada, mas aqui modificado para alcançar uma potência de 72cv às 4.600rpm e 143Nm de binário às 2.600rpm. As grandes alterações mecânicas visaram reduzir a pressão de óleo e utilização de óleo sintético, tanto para o motor como para a caixa de velocidades. Uma grande inovação implementada no Corsa A Eco3 foi a introdução de um sistema de start and stop, hoje em dia obrigatório nos automóveis novos, mas que na época ainda não estava disponível. Foi ainda adicionado um intercooler para reduzir a temperatura do ar à entrada do motor.
A caixa de velocidades também sofreu alterações, como a alteração da relação de 5ª velocidade de 0,71 para 0,63 e a relação de diferencial de 3,74 para 3,42, baixando assim os consumos em velocidade estabilizada em estrada. Para diminuir a resistência ao rolamento, foram instalados pneus de baixo atrito, construídos em conjunto com a Goodyear.

O desenho do Corsa Eco3 foi alterado, para melhorara a aerodinâmica, reduzindo o coeficiente aerodinâmico para os 0,33. Para atingir este valor foi necessário reduzir o tamanho do para-choques traseiro, alterar a zona lateral traseira, modificar o desenho do para-choques da frente com a adição de um lip de 40mm, adicionar embaladeiras com melhor fluxo de ar, redesenhar os espelhos retrovisores bem como os tampões das rodas, remoção das calhas do tejadilho e rebaixamento da suspensão em 8mm.
Com as várias alterações efectuadas, principalmente ao nível da aerodinâmica, o Corsa Eco3 passou a realizar consumos na ordem dos 4,0L aos 100km, uma melhoria de 22% face ao automóvel que era vendido nos concessionários. A designação Eco3 tinha como inspiração o objectivo do projecto, que era um gasto de 3,0L aos 100km, algo conseguido no protótipo Eco3 da geração seguinte, com base no Corsa B.
Este modelo propriamente dito nunca passou para a produção, mas foi a base das várias alterações que os modelos futuros sofreram para reduzir os consumos de combustível. O único protótipo construído sobreviveu até aos nossos dias e encontra-se à guarda da própria marca, nas instalações da Opel Classic.

Artigo original escrito para o Jornal dos Clássicos